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7.8.13

Eu que já fui
Não sei
Solto no mar o corpo
Azul

Espero voltar
Crescer
Algo
Verde

Nada
Cavo
Para ver brotar
Nada

Construo
E no fundo
Posso
Preto

Espero subir
Respiro
Fumaça
Cinza

Respiro
E o ar
Já não faz parte de mim
Branco

11.7.13

sobre ela

sobre ela
um sem palavras de coisas
e a risada solta
sobre o café na xícara verde de bolinhas brancas sobre a mesa de jantar.

sobre a mesa de todas as nossas artes.
sobre a vida que é toda a beleza.
sobro eu.

que quero só e sempre.
que a quero sempre
como nunca.

que a quero
e só.

sobre ela
mais um ano
três
e um sem fim de estrelas
em um quarto que não mais nos pertence
sem deixar de brilhar.

e brilham hoje
só e sempre
no céu
nos seus olhos
no imenso da vida
e da mesa de jantar.

sobre a cama
as cores da noite e da luz
do voo livre
dos balões de massa de modelar.

sobre nós
sempre
o céu
e as estrelas
e as risadas soltas.
todas.

sobre o amor.
sobro eu.

e ela.
que é a razão de eu estar aqui
sorrindo
vendo o galo cantar.

25.11.12

Como se nada existisse, ela me olhava. Eu não dizia nada. Ficava na minha. Era coisa que ela fazia; isso de me encarar. E era uma coisa tão dela que simplesmente deixava. Aí depois de um tempo, depois de eu quase enrubescer, alguma coisa besta puxava a conversa. Normalmente ela mesma, só pra tentar me deixar constrangido, comentava que eu não conseguia me deixar – eu sempre entendi que a palavra ‘olhar’ completava essa frase sem que fosse necessário pronunciá-la. Nessa noite ela me olhou sério. Eu fingia vergonha, como já fiz outras vezes depois de perceber que era isso o que a fazia sair do quase transe de me observar. Marcela me falou que percebia meu fingimento. – Tu sabe por que eu te olho tanto? – Não. Na verdade nunca me perguntei. – Eu mesma sempre me pergunto. Fim das contas acho que é pra te conhecer. Tu não consegue se deixar. E assim eu fico achando que não te conheço. Eu fiquei surpreso. Não sabia o que falar; se é que há algo que se possa dizer. Tentei jogar um ‘mas nem eu mesmo me conheço’, mas ela me cortou. Se fosse isso não seria problema. O problema, ela disse, é que parece que eu finjo sempre, que me escondo. Depois disso não disse mais nada. Nem ela nem eu. Não sei o que se subentendeu, nem penso nisso. Eu só queria acabar com aquela conversa. Ela precisava sair, tinha aula. Eu ia ficar em casa, fingindo que estudava enquanto via vídeo na internet.

29.10.11

falando comigo mesmo em inglês
esbarrei na mesma pessoa duas vezes no supermercado
talvez fosse o acaso
ou a falta de lucidez
talvez eu não consiga
ou ainda talvez
seja tudo isso e mais um pouco de uma vez

20.8.11

quanto mais a saudade aperta
mais eu olho pro alto
e vejo uma nuvem
em forma de pato
que já não está mais lá

sabe aquele sonho que a gente tem de voar
voou.

24.4.11

eu nunca entendi bem o processo
então hoje não sei bem o que faço
me lanço no mar
me jogo sem força
e ah! eu não vejo a hora
de conseguir voar

18.3.11

às vezes, quando só resta a vista. fechar os olhos parece uma boa opção. sentir é, segundo me dizem, um risco grande demais. mas às vezes, é o que se pode fazer com tanto espaço na vida.

15.3.11

me voltam aos poucos as imagens. a rotina das imagens. as imagens dos caminhos. me volto um pouco para o caminho. eu volto todo o caminho.

eu me perco todinho.

2.3.11

eu decidi fazer de conta que sei ser e viver
o flickr dizia que há quase um anoe u não fotografava e publicava. eu não dvidei. o sistema sabe bem oq eu diz. diferente de mim. que nem sei o que penso.

25.1.11

de sol

como nunca na vida, acordou cedo. tão estranho naqueles dias, o sol apareceu. era coisa difícil de entender, mas aceitou. quem sabe era a vida virando sonho. daqueles doces, bons, de se lambuzar. então se levantou. abriu a cortina a janela e os braços. e sorriu. era um pedido-prece. presse despertar ser sempre assim!